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O Chão

 “A infância é um chão que pisamos a vida inteira.” Essa é uma frase clichê, dessas que a gente vê repetida em posts e vídeos do TikTok, dita com uma facilidade que quase não dói. Mas esses dias, em um dos meus desabafos constantes com a Amandinha, ela voltou diferente. Voltou pesada. Voltou real. Nos últimos dias, tenho me sentido frustrada com a experiência de voltar a morar com meus pais. Existem muitas coisas boas, inegáveis, mas as ruins também vêm à tona. E vêm com força. Elas criam uma sobrecarga emocional que me faz, sem querer, reencontrar a pequena Nicoli que fui. Às vezes eu conto essas histórias rindo, transformo tudo numa grande piada, e chego a chorar de tanto rir. Mas só eu sei o peso que cada risada carrega no final. Talvez seja porque eu ainda não lidei cem por cento com o meu passado. Talvez eu nunca lide. Ou talvez seja só a vida adulta de todos nós dando um “alô”, avisando que crescer também é revisitar lugares que a gente achou que tinha deixado para trás. ...

Voltar...

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Toda vez que a tristeza aperta por lembrar da minha avó, eu me recordo do porquê estou voltando para o colo dos meus pais. Por muito tempo achei que não voltaria, que a saída tinha sido definitiva, sem retorno… Mas a vida tem seus jeitos de mostrar que a gente não perde nada ao voltar para onde existe amor. Lembro da Lari, minha terapeuta, dizendo que ficava feliz com essa decisão, que às vezes é necessário dar um passo para trás para pegar impulso e seguir mais forte pra frente. E hoje essa frase faz todo sentido. Voltar não é retroceder. Voltar é reencontrar raízes, respirar fundo, curar o que ficou, e se preparar para tudo o que ainda vem. E no meio dessa saudade doce e dolorida da minha avó, encontro acolhimento, encontro motivos… e me encontro também.

Tédio de Possuir...

Existe uma ânsia em ter, em viver o que parece tão próximo, mas nunca completamente real. É como se o desejo vivesse de possibilidades, e o que se concretiza, de repente, perdesse o encanto. Desde a última MCP, aquela festa em Botucatu que ainda volta como um eco, venho pensando nisso. No quanto o quase é mais intenso que o próprio acontecimento. Naquela noite, beijei alguém. Mas não era quem eu queria beijar. O corpo estava ali, presente, mas a cabeça estava em outro tempo, outro rosto, outro toque que não aconteceu. E, talvez por isso, tenha doído mais. Hoje, depois de mais de dois anos sem encostar os lábios em alguém, percebi o quanto o beijo pode ser vazio quando não há verdade nele. Senti falta do que poderia ter sido, não do que foi. Saudade do sentimento que ficou suspenso no ar, das histórias que poderiam ter existido, mas ficaram na promessa. Há um cansaço em tentar reviver o que o tempo levou, em tentar sentir o que já não pertence mais. E, ao mesmo tempo, há uma estranha pa...

Para todos os romances que não foram...

  Hoje é domingo, e sem muito aviso, me peguei lembrando de você. Culpa da música What About Us , da Pink. Ela tocou em um vídeo alectório no TikTok, enquanto eu estava na frente do meu computador, e de repente as perguntas não ditas vieram todas juntas, aquelas que ficaram no ar, pairando entre o "foi bom" e o "e se". Não sei exatamente o que somos hoje. Talvez nada. Talvez apenas parte de uma memória bonita. Mas sei o que fomos: um quase que valeu a pena. E nessa mesma linha, me lembro que nesta semana pensei naquele filme, Para Todos os Garotos que Já Amei . Lara Jean escreve cartas que nunca envia, guarda numa caixa azul-petróleo que herdou da mãe. Uma carta para cada amor. Confissões que não tiveram espaço no tempo certo, mas que, ainda assim, precisavam existir. E aí me perguntei: deveria eu fazer o mesmo contigo? Talvez sim. Não por drama. Nem por saudade. Mas por carinho. Por ritual. Por esse clima de fim de faculdade que traz com ele um quê de última ...

Entre Marés e Memórias: Uma Beautiful Mess

Ontem me permiti sentir. E talvez isso seja a coisa mais difícil de fazer quando se está tentando sobreviver. Comecei a ler A Playlist da Minha Vida, da Abby. Cada capítulo começa com uma música, e isso me pareceu cruel de um jeito bonito. Porque às vezes uma canção fala antes da gente conseguir dar nome ao que está dentro. Foi assim com “A Beautiful Mess”, do Jason Mraz. Deixei ela tocar enquanto as palavras escorriam. Desde que cheguei em Monte Mor para as férias, eu já sabia. Sabia que o choro estava entalado, como uma gripe que não sai. Instalado, firme, fazendo parte da rotina. Mas ainda assim, invisível. Ainda assim, contido. E talvez vá durar um tempo. Ou muito tempo. Ou talvez sempre esteja ali, mesmo que um dia eu volte a sorrir sem culpa. Estou em casa, ou pelo menos no que deveria ser casa. Mas não durmo no meu quarto. Digo que é pelo colchão, velho demais, que machuca as costas... Mas no fundo, é porque o escuro dele me assusta. Me parece cheio demais de ausência. Me engol...

Crítica: A Saga Velozes e Furiosos – Uma Surpresa que Corre por Fora.

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     Ontem finalizei o quinto filme da franquia Velozes e Furiosos e, apesar da adrenalina estar em alta, preciso confessar: Desafio em Tóquio ainda ocupa o topo do meu ranking emocional (vou fingir que não é pela minha quedinha ao Han).  Tem algo naquela estética urbana, nos neons e nas curvas controladas do drift japonês que me pega de um jeito que nenhum outro da saga conseguiu replicar. É quase poético, mesmo quando tudo está explodindo ao redor.      Por muito tempo resisti à franquia. Achava que era só uma sequência infinita de carros, testosterona e frases de efeito. Mas como tudo na vida, certas experiências pedem o tempo certo. E foi no frio — nesse clima de casa, de cobertor, de querer fugir um pouco da rotina — que me rendi. Quando o mundo lá fora desacelera, essa saga chega derrapando e preenchendo um espaço que eu nem sabia que estava vazio. É a dose de ação que faltava nos dias parados.      E entre tantas duplas icônic...

Entre Bazares, Cervejas e Karaokê: onde a amizade virou casa...

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     Conhecer novas pessoas é um dos maiores presentes que a vida pode nos dar — especialmente quando a gente menos espera, especialmente quando a gente acha que já está inteiro demais ou quebrado demais para criar novos vínculos. E aí, de repente, aparece alguém que ilumina o ambiente com uma leveza tão natural que faz o mundo parecer mais gentil.           Ir a lugares onde o coração se sente em paz é um privilégio raro. Mas estar com pessoas que fazem qualquer lugar parecer casa… isso é benção. E foi assim que eu me senti ao lado da Amandininha. Ela, que topa tudo, que tem um brilho próprio, que me permite ser quem sou sem filtros ou medos. Uma conexão que nasceu tranquila, sem pressa, sem as cobranças avassaladoras que o mundo tanto impõe.      É um tipo de relação que ensina a respirar fundo, a rir alto, a não se explicar tanto. É afeto que não sufoca, é presença que não exige, é respeito que acolhe. Com ela, a vida ganhou...

Peruibe - SP

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 O mar sempre me deu medo. A imensidão azul, os mistérios que se escondem sob a superfície, a força das ondas – tudo isso me assustava. O desconhecido sempre me abalou, me fez hesitar, me fez sentir pequena. Meu corpo, por muito tempo, não parecia pertencer ali. Não me sentia livre o suficiente para me entregar ao balanço da água, como se houvesse algo dentro de mim que me impedisse de simplesmente flutuar.  Mas então veio Peruíbe. Cinco amigos, uma viagem simples e a promessa de dias que ficariam para sempre. Entre risadas e trilhas improvisadas, veio o convite para entrar no mar de um jeito que eu nunca tinha feito antes: de barco, longe da areia, sem a segurança de um pé tocando o chão. E ali, depois de muito pensar, eu pulei.  A água gelada me envolveu e, por um instante, o mundo ficou em silêncio. Quando emergi, ofegante, tudo parecia diferente. O mar não era mais um inimigo, mas um abraço. Senti minha alma lavada, como se todo o peso que carregava simplesmente se di...

O Peso das Decisões e a Leveza de Seguir o Coração!

 Tomar decisões importantes sempre traz um peso enorme, uma responsabilidade que vem acompanhada daquele medo de errar e perder algo valioso. Cada escolha significa um caminho que se abandona e um conjunto de possibilidades que fica para trás. Mas, ao mesmo tempo, seguir em frente com aquilo em que acredito — com meus valores e minhas motivações — traz uma sensação de liberdade que nada mais consegue trazer. Saber que estou sendo fiel a mim mesma, que cada passo é impulsionado pela minha verdade, torna o peso dessas decisões muito mais suportável.      No processo, algumas coisas inevitavelmente se perdem. Pessoas se distanciam, certos planos precisam ser deixados de lado, e há uma nostalgia constante das possibilidades que nunca serão. Mas também há ganhos: um sentido de identidade mais forte, novas conexões com quem realmente entende o que me move, e a certeza de que estou crescendo em direção a algo que faz sentido para mim.      Em tudo isso, as pe...

Quando amizades viram lembranças.

   Esses dias eu estava pensando em como algumas amizades, mesmo as mais antigas, acabam se transformando em lembranças mais cedo do que eu imaginava. A gente espera que a amizade seja sempre um porto seguro, mas quando falta o respeito —   aquele cuidado básico com o que o outro sente   — é como se o vínculo fosse rompido de forma invisível, até que uma hora você olha e não tem mais ninguém lá.      Ainda assim, o carinho que ficou é real. Não é como se, de uma hora para outra, os anos de confidências, risadas e momentos difíceis perdessem o valor. Esses laços ainda existem, mas viraram capítulos que foram escritos e finalizados, e agora estão ali, no passado. E é estranho, porque fico com essa sensação ambígua: a de que ainda tem algo precioso ali, mas que eu preciso seguir em frente.      Agora, com 22 anos, tendo que construir tudo de novo, mas sem o mesmo contexto em que antes tudo era natural e automático. As amizades da infância p...