Peruibe - SP
O mar sempre me deu medo. A imensidão azul, os mistérios que se escondem sob a superfície, a força das ondas – tudo isso me assustava. O desconhecido sempre me abalou, me fez hesitar, me fez sentir pequena. Meu corpo, por muito tempo, não parecia pertencer ali. Não me sentia livre o suficiente para me entregar ao balanço da água, como se houvesse algo dentro de mim que me impedisse de simplesmente flutuar.
Mas então veio Peruíbe. Cinco amigos, uma viagem simples e a promessa de dias que ficariam para sempre. Entre risadas e trilhas improvisadas, veio o convite para entrar no mar de um jeito que eu nunca tinha feito antes: de barco, longe da areia, sem a segurança de um pé tocando o chão. E ali, depois de muito pensar, eu pulei.
A água gelada me envolveu e, por um instante, o mundo ficou em silêncio. Quando emergi, ofegante, tudo parecia diferente. O mar não era mais um inimigo, mas um abraço. Senti minha alma lavada, como se todo o peso que carregava simplesmente se dissolvesse ali. Pela primeira vez, me permiti ser livre naquilo que um dia me aterrorizou.
E mesmo à noite, quando todos nós apertados dividíamos o mesmo quarto, eu ainda sentia que aquele espaço era meu. Que a liberdade não estava na solidão, mas na companhia certa. Que dividir o mesmo teto com amigos não diminuía meu espaço; pelo contrário, o tornava maior, mais bonito.
As músicas do Skank tocavam ao fundo, como se fossem feitas para aquele momento. "Em paz, eu digo que eu sou, o antigo do que vai adiante" – e era exatamente isso. Aquele instante, aquela viagem, aquelas pessoas… tudo era passageiro, mas ao mesmo tempo eterno.
Eu voltei outra. O medo do mar ficou parcialmente para trás, assim como tantas inseguranças que pareciam parte de mim. Naquele pedaço de oceano, entendi que ser livre é, antes de tudo, permitir-se sentir. E naquele verão, eu finalmente me permiti.
Aos meus amigos Didicito (Diego), Rafa, Clan Clan (Gabriela), Paulinha e Wesley, meu mais sincero obrigada.
Por cada risada até a barriga doer, por cada brinde com jeropinga, por cada música que virou trilha sonora da nossa loucura. Obrigada por me mostrarem que a vida é mais leve quando compartilhada, que os momentos mais simples podem ser os mais inesquecíveis e que, no fim das contas, o que realmente importa são as pessoas com quem dividimos esses instantes.
Cada conversa jogada fora, cada piada interna, cada mergulho no mar (e na insanidade) fez dessa viagem algo que vai ficar marcado em mim. Foram dias intensos, bagunçados e cheios de história para contar — e outras que a gente só vai lembrar com aquele olhar cúmplice de quem viveu tudo junto.
Aqui embaixo estão as imagens e vídeos que registram um pedaço dessa viagem, mas a verdade é que o melhor dela não dá para capturar. Está nas memórias, no calor do momento, nas risadas que ecoam mesmo quando o silêncio toma conta.
Vocês foram parte da melhor viagem que eu poderia ter. E se tem uma coisa que aprendi nessa aventura, é que com amigos assim, qualquer destino se torna inesquecível. 💙🌊
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