Quando amizades viram lembranças.
Esses dias eu estava pensando em como algumas amizades, mesmo as mais antigas, acabam se transformando em lembranças mais cedo do que eu imaginava. A gente espera que a amizade seja sempre um porto seguro, mas quando falta o respeito — aquele cuidado básico com o que o outro sente — é como se o vínculo fosse rompido de forma invisível, até que uma hora você olha e não tem mais ninguém lá.
Ainda assim, o carinho que ficou é real. Não é como se, de uma hora para outra, os anos de confidências, risadas e momentos difíceis perdessem o valor. Esses laços ainda existem, mas viraram capítulos que foram escritos e finalizados, e agora estão ali, no passado. E é estranho, porque fico com essa sensação ambígua: a de que ainda tem algo precioso ali, mas que eu preciso seguir em frente.
Agora, com 22 anos, tendo que construir tudo de novo, mas sem o mesmo contexto em que antes tudo era natural e automático. As amizades da infância pareciam vir com o pacote completo; agora, é um desafio começar do zero, sendo eu mesma, mas também tentando me adaptar a novos rostos, novos interesses, e a uma realidade onde eu não tenho mais aquelas amizades prontas e familiares para me apoiar.
Essa experiência me faz pensar muito na música Vienna do Billy Joel. “Slow down, you’re doing fine / You can’t be everything you want to be before your time” — ele canta, lembrando que não é preciso correr e tentar resolver tudo ao mesmo tempo. Eu tenho essa pressa de querer amizades profundas e vínculos imediatos, mas Vienna é um lembrete de que a vida é longa, e eu posso, e devo, dar tempo ao tempo.
Talvez esse seja o processo de crescer: entender que alguns vínculos são temporários, que as pessoas mudam, e que tudo bem, porque a gente também muda. Como Joel sugere, a gente ainda tem tempo de sobra para reencontrar o que precisa, construir novas conexões e, quem sabe, criar novas lembranças.
Porém há aquelas amizades que, apesar da distância e das mudanças, permanecem — e são essas que me trazem força e esperança para o futuro. São os amigos que, mesmo não estando presentes em todos os dias, sempre fazem questão de estar nos momentos certos, apoiando, ouvindo, e lembrando quem eu realmente sou. Tenho orgulho deles não só pelo que representam na minha vida, mas também pelo que conquistam nas suas próprias jornadas. Eles são exemplos vivos de resiliência, de como seguir sonhos apesar das dificuldades, e isso me inspira. Saber que eles estão construindo algo único, cada um à sua maneira, me dá coragem para seguir os meus próprios sonhos.
Comentários
Postar um comentário