Tédio de Possuir...
Existe uma ânsia em ter, em viver o que parece tão próximo, mas nunca completamente real. É como se o desejo vivesse de possibilidades, e o que se concretiza, de repente, perdesse o encanto. Desde a última MCP, aquela festa em Botucatu que ainda volta como um eco, venho pensando nisso. No quanto o quase é mais intenso que o próprio acontecimento.
Naquela noite, beijei alguém. Mas não era quem eu queria beijar. O corpo estava ali, presente, mas a cabeça estava em outro tempo, outro rosto, outro toque que não aconteceu. E, talvez por isso, tenha doído mais. Hoje, depois de mais de dois anos sem encostar os lábios em alguém, percebi o quanto o beijo pode ser vazio quando não há verdade nele.
Senti falta do que poderia ter sido, não do que foi. Saudade do sentimento que ficou suspenso no ar, das histórias que poderiam ter existido, mas ficaram na promessa. Há um cansaço em tentar reviver o que o tempo levou, em tentar sentir o que já não pertence mais. E, ao mesmo tempo, há uma estranha paz em entender que nem tudo precisa se concretizar pra ser real.
Talvez o tédio de possuir venha disso... De perceber que o desejo vive melhor na imaginação. E que o beijo que hoje não aconteceu, mas ainda continua sendo o mais bonito de todos...
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